LEI Nº 008, DE 01 DE SETEMBRO DE 1980. Oriundo do Executivo SÚMULA: Oficializa o trabalho realizado pela professora Margarida Franklin Gonçalves ? Inspetora Regional de Ensino da 10º IRE/Ibaiti, que foi baseado em depoimento pessoal do Senhor Antônio Ferreira, como ?HISTÓRICO DE IBAITI?. A CÂMARA DE IBAITI, ESTADO DO PARANÁ, usando de suas atribuições legais APROVOU e eu PREFEITO MUNICIPAL, sanciono a seguinte LEI Art. 1º Fica considerado como Histórico oficial de Ibaiti, o Trabalho realizado pela professora Margarida Flanklin Gonçalves ? Inspetora Regional de Ensino da 10º IRE/Ibaiti, que foi baseado em depoimentos pessoal do Senhor Antônio Ferreira, um dos fundadores da cidade de Ibaiti, cujo texto é o seguinte: ?A cidade de Ibaiti, antiga Barra Bonita, no local onde é hoje, nasceu à volta da Estação Ferroviária, pelos idos de 1925. Mas, já em 1916, a uns 1.500 metros a Leste do centro atual, iniciava-se um povoado com os ranchos onde residiam os pioneiros que para ali vieram a fim de explorar uma jazida de carvão mineral, que prometia grandes oportunidades de lucros. O proprietários das terras, Senhor Eduvirge Carneiro, sabendo da existência do carvão mineral em suas terras, contratou um entendido no assunto para tentar a exploração da mina. Esse entendido, Senhor Pedro Pinheiro, residente em Castro, para cá se deslocou por volta de 1.916, trazendo consigo algumas famílias e aqui chegando, procurou arregimentar mais outras, buscando-as entre as que trabalhavam nas fazendas da região. O objetivo era limpar o lugar da jazida, ao mesmo tempo em que se construía a estrada para a deslocação do carvão que se fosse produzindo, até o mercado consumidor. Essa estrada deveria tomar o rumo da Estação de Calógeras, naquela época conhecida como Km 53 do ramal ferroviário que partia de Jaguariaíva, com destino a Ourinhos, no vizinho Estado de São Paulo. Não era uma tarefa fácil pois planejava a Empresa transportar o carvão em carros de boi desde Barra Bonita até o Km 53, numa extensão de 70 km, através de péssimos carreadores, vadeando-se muitos rios. Nas primeiras viagens já se tornou potente a grande dificuldade do empreendimento e o proprietário procurou vender a fazenda. Conseguindo vende-la, passou ela a pertencer a um português residente no Rio de Janeiro, de nome Souza Cruz. Este novo proprietário ao mesmo tempo em que deu impulso à mineração, procurou convencer às autoridades federais da necessidade de se estender um ramal ferroviário, que alcançasse o vale do Rio do Peixe, onde se encontravam grandes jazidas de carvão mineral. Uma vez constatada como real a existência do carvão o governo autorizou a construção do sub-ramal o que partindo da Estação de Wenceslau Brás, do ramal Jaguariaíva Ourinhos, deveria alcançar o Rio do Peixe, onde se situavam a maioria dos jazidas carboníferas, devendo, no entanto, passar por Barra Bonita onde já havia uma jazida em exploração. Esse sub ramal, começou a ser constituído em 1.920, saindo de Wenceslau Bráz atingindo, primeiro, a cidade de Tomazina, sede do Município, depois Pinhalão, Japira e chegando a Barra Bonita, em 1.925, os primeiros lastros de carga. No ano seguinte, 1.926, fo inaugurada a Estação de Barra Bonita com o nome de Arthur Bernardes. Os fundadores da estação da estrada de ferro, em razão do serviço foram se afixando nas imediações do local estavam construindo a estação e o armazém, em ranchos e casinhas rusticas. Também os operários mais categorizados da mina de carvão vieram para perto da estação pois facilitava-lhes a locomoção e ao mesmo tempo, o carregamento do carvão começou a ser feito pelos vagões ferroviários. Um dos empreiteiros da estrada de ferro, de nome Alexandre Margues Leal, construiu um hotel para alojamento dos engenheiros, ferroviários e empreiteiros dessa estrada, bem como viajantes que passaram a vir para à região da Barra Bonita. O povoado aumentou em muito quando começaram a chegar os portugueses que vieram para trabalhar na serragem de madeira para as obras da estrada de ferro, tais como: - vigas para pontes, dormentos para os trilhos, tábuas para casa da estação, depósitos, e, também, para as novas casas que já se iam construindo no povoado. Dentre estes portugueses destacou-se um pela liderança que exerceu sobre os patrícios. Foi o Senhor Antônio Ferreira, que, com a idade de 85 anos, ainda vivendo entre nós, como comerciante, veio de Portugal tão logo terminou o movimento militar entre seu país e a França. Sendo afilhado do Senhor Souza Cruz, chegando ao Brasil procurou-o no Rio de Janeiro e o padrinho o mandou para Barra Bonita a fim de atender a fazenda que havia adquirido. O Senhor Antônio Ferreira, um dos pioneiros da cidade, veio para Barra Bonita em fins de dezembro de 1.921, trazendo dinheiro paga o pagamento do pessoal da mina, vindo a pé o Km 53 até a mina. Chegando, entregou o dinheiro ao feitor da mina, em 1.922. Voltou ao Rio de Janeiro e retornando a Barra Bonita, ainda em janeiro de 1.922, trouxe o Senhor Fritz Herbustreit para ser mecânico das minas, ou melhor, das máquinas de mineração, tendo fixado residência aqui, também o Senhor Fritz Herbustreit é um dos fundadores da cidade. Após encerrado os trabalhos de mineração, o Senhor Antônio Ferreira ficou atendendo os negócios da Fazenda Souza Cruz durante todo o tempo em que aquela organização aqui existiu. Vendida a fazenda, fixou-se como comerciante que é como ainda vive hoje. Outro pioneiro foi o Senhor João Oligurski, o qual vindo do Patrimônio do Café, ferreiro que era, passou a exercer sua profissão na mineração de carvão, ficando a seguir na cidade, com sua oficina de ferreiro. Na época inicial do trabalho de mineração, o transporte de mercadorias para os armazéns que foram surgindo era feito no lombo dos burros. De início, os tropeiros traziam de Itapetininga os carregamentos, levando, muitas vezes, meses viajando. Depois passaram a trazer sua carga de Ponta Grossa e Jaguariaíva. Posteriormente, quando o ramal ferroviário chegou até o Km 53 hoje Calógeras, abastecendo-se ali a tropa que os transportava para Barra Bonita. Um desses tropeiros foi fundador da cidade, na qual deixou numerosos descendentes. Seu nome: José Heidgger. Após a chegada da estrada de ferro a Barra Bonita, ele passou a trocar sua tropa deste povoado para a povoação de lageado liso Congoinhas. Faleceu afogado ao transpor um rio com sua tropa e seus filhos continuaram seu trabalho, por muito tempo. Os senhores Pedro e Armando Salomão, foram, os pioneiros do comércio Barra Bonitense, instalaram as primeiras casas comerciais do povoado. E isto pode ocorrer porque a fazenda Souza Cruz tão logo se inaugurou à estação ferroviária, lotou o terreno próximo para que se organizasse a cidade. Esse fato possibilitou a fixação de pessoas não ligadas à empresas de mineração. Ranchos..., casas..., surgia uma cidade. Além dos irmãos Salomão, também, o Senhor João Bartolomeu se estabeleceu com uma padaria, cuja casa onde funcionou ainda está em pé. E, João ´´Padeiro`` é ainda lembrado. A seguir o Doutor Teixeira de Assis construiu a primeira farmácia, que passou a seu filho Rosalvo de Assis. O senhor Marcolino Cipriano montou uma celaria organizando ao lado uma barbearia. O primeiro automóvel de aluguel pertenceu ao Senhor Octávio Correia. Eram fazendeiros nas imediações de Barra Bonita a família Pinheiro, o Senhor Theófilo Marques da Silveira, Senhor Nicanor de Tal, que plantou o primeiro cafezal de Barra Bonita na Fazenda Ubirajara, hoje de propriedade do Senhor Miguel Jorge Watfe e que fica ao lado do Distrito Rodoviário. O Senhor Antônio Ferreira que nos forneceu o depoimento através do qual formulamos o presente histórico, nasceu no dia 25 de setembro de 1.892, às 3:00 horas da manhã, na cidade de Santa Cristina de Longos, no conselho de Quimarães, em Portugal, veio para o Brasil em 1.920 e entre nós permanece como sentinela vigilante a zelar pela cidade que ajudou a plantar com coragem. Sempre acreditou que na semente havia sido lançada em bom solo e viveu suficiente para ter sua fé, compensada. E graças a ele, podemos os ibaitienses dizer que nossa história não é baseada na palavra de quem ouviu dizer, mas, sim, de quem a fez. Em 1.930 a Estação Ferroviária teve seu nome mudado de Arthur Bernardes (que passou para outra estação do sub-ramal) para Barra Bonita, o nome do povoado. Este nome do povoado foi mudado em 1.943, para o de Ibaiti, continuando ainda como Distrito de Tomazina, categoria que tinha desde o Decreto nº 2.465 de 02/04/27, do Excelentíssimo Senhor Caetano Munhoz da Rocha. Pela Lei Estadual de nº 02 de 11/10/47 foi elevado à categoria de Município, com território desmembrado de Tomazina, tendo sua instalação sido feita solenemente, no dia 09 de novembro do mesmo ano, ficando como Prefeito provisório o Senhor Athaide Loyola, que governou o Executivo Municipal de 29 de outubro a 08 de dezembro de 1947, quando tomou posse o primeiro prefeito constitucional de Ibaiti, o Senhor Júlio Farah. O Município de Ibaiti, foi elevado à categoria de comarca pela Lei Estadual nº 1.542 de 14/12/53 e instalada solenemente em 09 de junho de 1954, pelo Excelentíssimo Senhor Doutor Alceu Conceição Machado, primeiro Juiz de Direito da Nova Comarca.? Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas as disposições em contrário. GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE IBAITI, ESTADO DO PARANÁ, ao primeiro dia do mês de setembro do ano de mil novecentos e oitenta (01/09/1980). LEVY ROSA DOS SANTOS Prefeito Municipal